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O artista que sua para o som soar
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O artista que sua para o som soar   PDF  Imprimir  E-mail 
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 Muito instrumentista de técnica, talento e renome invejados inveja o ouvido de João Batista Trajano dos Santos. Não, JB não toca de ouvido. Nem por música ou necessidade. O home dos sete instrumentos não toca nenhum. Faz. Ele é luthier; criador de instrumentos de corda, o artesão que sua para o som soar, como diz, na letra de A benção, o compositor Celso Viáfora.

A produção total da luteria nativa é nada, num mercado que, no chute, absorve uns 18 mil violões por mês - 9 mil nacionais, 5 mil deles Di Giorgio. Luteria é só capricho, é sonho do músico.

Luthier não tem de tirar músicas do instrumento. Só tem de tirar instrumentos da tora. Para tanto "deve ter ouvido de médico, não de músico" diz JB. Ouvido capaz de perceber no som das cordas dedilhadas a harmonia das madeiras das laterais, fundo, tampa e escala, o equilíbrio dos volumes graves e agudos e até a maturidade do instrumento.

Jb bem que tentou estudar violão. Não deu. A vida não lhe deu tempo sequer para pensar em vocação e escolher a profissão. Caiu nela. Dona Percília, a mãe, enviuvou e careceu de sua ajuda na criação dos três míudos. E na lida, na fazendola deixada pelo falecido Adauto Irineu em Caaporã (Paraíba, quase Pernambuco), com 50 cabeças  mestiças de nelore e bastante lavoura branca.

Era 1965 e JB tinha 10 anos. Ajudou direito a mãe, nas duas fainas. Deixou os pequenos bem (Carliete é secretária da Educação de Caaporã e Carlos, o gêmeo dela, é dono do mimo, bar onde trabalha o caçula Jabson) e não se limitou a capinar plantação e a erar garrote. Ao negociar o fruto das terrinhas no mercado municipal de João Pessoa, tomou gosto e se fez atacadista de milho, feijão, mandioca, abóbora, o que fosse.

Aos 19anos, passado para o segundo ano científico, trancou matrícula e tocou de ônibus mapa abaixo. Conterrâneos já aclimatados em São Paulo o levaram à maior das três fábricas de instrumentos de corda do Brasil, a Giannini (as outras eram a Di Giorgio e a Del Vecchio). Contratado, ajudava na montagem e acabamento (só de verniz vão 7 demãos). Logo foi promovido a meio-oficial e a oficial - carreira notável, entre os 1500 empregados da fábrica.